Cinco peças para começar sem perder a elegância

Masterclass no studio

Existe um repertório de iniciação que resolve o problema técnico e cria outro, estético: peças escritas para ensinar, que soam como exercício mesmo quando bem tocadas. O aluno adulto percebe isso rápido e desanima. Ele não voltou ao piano para tocar estudo, voltou para tocar música.

A boa notícia é que a literatura do piano é generosa com quem está começando. Há obras de primeira linha ao alcance de poucas semanas de estudo, e que continuam no repertório de quem toca há vinte anos.

A Gymnopédie nº 1, de Erik Satie, é o exemplo mais conhecido e ainda assim o melhor. Andamento lento, mão esquerda em padrão fixo, exigência quase nula de velocidade e um resultado que qualquer sala reconhece. Ela ensina pedal e ensina respiração de frase, duas coisas difíceis de trabalhar em exercício seco.

O Prelúdio em Dó maior do Cravo Bem Temperado, de Bach, é a segunda escolha. Um único desenho arpejado repetido em harmonias que mudam. Tecnicamente é acessível na quarta ou quinta semana, e musicalmente é uma aula inteira sobre condução harmônica.

Do lado brasileiro, o Prelúdio em Lá menor de Villa-Lobos, em versão simplificada, e o choro Odeon, de Ernesto Nazareth, em arranjo reduzido, dão ao aluno alguma coisa que o repertório europeu não dá: a sensação de estar tocando uma música que ele já ouviu a vida toda.

A quinta é pessoal e muda a cada aluno. Pode ser um tema de filme, uma canção que ele quer acompanhar cantando, um standard de jazz em versão de melodia e acordes. Essa é a peça que sustenta o estudo nos meses em que a motivação oscila, e por isso ela nunca é escolhida por nós sozinhos.

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