Crediário para negativado existe? O que as lojas olham

Mulher conversando com o vendedor ao lado de uma máquina de lavar numa loja de eletrodomésticos
Imagem ilustrativa.

Em 30 segundos

  • A loja é obrigada a avaliar o crédito consultando os bancos de dados de proteção ao crédito (CDC, art. 54-D, II).
  • Anunciar crediário sem consulta ao SPC ou sem avaliar a situação financeira é proibido (CDC, art. 54-C, II).
  • A loja não pode recusar a venda a quem paga à vista (CDC, art. 39, IX), mas pode recusar a venda a prazo.
  • R$ 1.000 em 10 parcelas custam R$ 1.172 com juros de 3% ao mês e R$ 1.490 com 8% ao mês.

Crediário para negativado existe, mas é exceção: a lei manda a loja avaliar o crédito consultando os birôs, e a maioria recusa ou pede entrada maior a quem está com o nome no SPC ou no Serasa. Comprar à vista é direito seu em qualquer loja. Para voltar ao crediário, o caminho mais firme é resolver o registro e construir histórico de pagamento.

A recusa no balcão costuma vir sem explicação, e isso alimenta anúncios de "crediário sem consulta" que prometem o que a lei proíbe anunciar. Abaixo estão o que a loja olha, por que o crédito fácil para negativado costuma sair caro e o que fazer para comprar parcelado de novo.

Dá para fazer crediário com nome sujo?

Dá para fazer crediário com nome sujo só se a loja aceitar o risco, e poucas aceitam. Nenhuma lei proíbe vender a prazo para quem está negativado, mas o artigo 54-D, II, do Código de Defesa do Consumidor obriga o fornecedor a avaliar o crédito de forma responsável, consultando os birôs. A decisão final é de cada loja.

O que a loja não pode é recusar a venda a quem paga à vista: o artigo 39, IX, do CDC proíbe recusar a venda "a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento". Crediário é crédito, e crédito depende de análise. Quando a loja aceita o negativado, costuma pedir entrada maior, prazo menor ou um fiador, e o contrato precisa dizer tudo isso por escrito.

Quais lojas consultam SPC e Serasa?

Não existe lista oficial de quais lojas consultam SPC e Serasa, porque a obrigação vale para todas: quem vende a prazo tem de avaliar o crédito consultando bancos de dados, pela regra do artigo 54-D do CDC. Na prática, quase todo comércio que oferece crediário, carnê ou cartão da loja consulta pelo menos um birô antes de aprovar.

No comércio de bairro, a consulta mais comum é a do SPC Brasil, que faz parte do Sistema CNDL ao lado das Câmaras de Dirigentes Lojistas, segundo a própria CNDL. Redes maiores e financeiras parceiras costumam consultar também Serasa, Boa Vista e Quod. O guia sobre SPC e CDL explica essa ligação, e o texto sobre a diferença entre SPC, Serasa e Boa Vista mostra o que cada um guarda.

O que a loja olha antes de aprovar o crediário

A análise do crediário junta quatro fontes: o registro negativo, o score, a sua renda e o histórico que a própria loja tem com você. O peso de cada uma muda de loja para loja, mas a lógica é parecida.

O que pesa na análise e o que você pode fazer
O que a loja olhaPor que pesaO que está ao seu alcance
Registro no SPC, Serasa ou Boa VistaMostra dívida em atraso hojeNegociar e pedir a baixa, que o credor faz em até 5 dias úteis após o pagamento integral
ScoreResume o risco em uma notaPagar contas em dia e manter o cadastro positivo ativo
Renda e parcelas já assumidasIndica se a nova parcela cabeLevar comprovante de renda e escolher parcela menor
Histórico na própria lojaQuem pagou o carnê anterior em dia é conhecidoComprar primeiro à vista ou com entrada, e pagar em dia

O prazo de baixa vem da Súmula 548 do STJ: pago o débito, a empresa credora tem até 5 dias úteis para pedir a exclusão. O guia sobre o que muda depois de limpar o nome mostra quanto tempo o crédito costuma levar para voltar.

"Crediário sem consulta" é anúncio proibido e costuma custar mais

Anunciar crédito sem consulta é proibido desde 2021. O artigo 54-C, II, do CDC veda indicar, em qualquer oferta de crédito, que a operação pode ser feita "sem consulta a serviços de proteção ao crédito ou sem avaliação da situação financeira do consumidor". Quando alguém promete isso, ou descumpre a lei, ou embute o risco no preço.

A diferença de taxa aparece rápido na parcela. Numa compra de R$ 1.000 em 10 vezes, com juros de 3% ao mês a parcela fica em R$ 117,23 e o total em R$ 1.172,31. Com 8% ao mês, a parcela sobe para R$ 149,03 e o total para R$ 1.490,29: quase R$ 320 a mais pelo mesmo produto. A Calculadora do Cidadão, do Banco Central, refaz essa conta com qualquer proposta.

Desconfie também de quem pede dinheiro adiantado para "liberar" o crediário ou o limite. Loja séria cobra a parcela depois da compra, não uma taxa antes dela. O guia sobre empréstimo com nome negativado mostra os sinais desse tipo de golpe, e o texto sobre como funciona o crediário lista o que a loja é obrigada a informar.

Como voltar a comprar parcelado, em cinco passos

  1. Veja o que está no seu CPF. SPC, Serasa e Boa Vista mostram de graça quem registrou cada dívida. O passo a passo para consultar o nome no SPC de graça serve para os três.
  2. Resolva primeiro a dívida da loja onde você quer comprar. Quem quitou a dívida antiga costuma ter mais chance de voltar ao crediário naquela loja. Se ela é credenciada por associação comercial ou CDL, a dívida e a proposta podem aparecer no Meu Nome no Azul.
  3. Confirme a baixa. Passados 5 dias úteis do pagamento integral, consulte de novo. Registro que não sai é caso do guia de negativação indevida.
  4. Comece pequeno. Uma compra à vista ou com entrada alta, paga em dia, cria histórico na loja.
  5. Mantenha o cadastro positivo ativo. Ele registra as contas pagas em dia, como explica o guia do cadastro positivo.

Score e recusa: o que você pode pedir à loja e ao birô

O uso do score é permitido e não depende da sua autorização, mas você tem o direito de pedir esclarecimentos sobre os dados e as fontes usados no cálculo, pela Súmula 550 do STJ. A Lei 12.414/2011 garante consultar de graça os próprios dados e a nota em qualquer birô (artigo 5º, II) e pedir revisão de decisão tomada só por sistema automático (artigo 5º, VI).

A mesma lei proíbe usar no score dados sem ligação com o risco de crédito, como origem social e étnica, saúde, sexo e convicções políticas ou religiosas (artigo 7º-A). E não existe atalho pago: a Quod afirma que "não existe forma de pagar para aumentar seu Score". O guia sobre score baixo mostra o que de fato pesa na nota.

Para negociar a dívida que está travando o crediário, a página sobre onde negociar dívidas com lojas da sua cidade lista as associações comerciais e CDLs parceiras, e os demais guias sobre dívidas no comércio tratam de carnê, cartão da loja e cheque.

Perguntas frequentes

A loja pode recusar venda para quem tem nome sujo?

À vista, não: o Código de Defesa do Consumidor proíbe recusar a venda a quem paga na hora. A prazo, pode, porque crediário é crédito e a loja é obrigada a avaliar o risco consultando os birôs. Se a recusa vier, você pode pedir esclarecimentos sobre os dados usados na análise.

Depois de pagar a dívida, quanto tempo para conseguir crediário?

A baixa do registro deve ser pedida pelo credor em até 5 dias úteis depois do pagamento integral. A aprovação do crediário, porém, depende da política de cada loja, que também olha score, renda e histórico. Começar com uma compra menor, paga em dia, ajuda a reconstruir o relacionamento com a loja.

Crediário sem consulta ao SPC é golpe?

O anúncio de crédito sem consulta aos serviços de proteção ao crédito é proibido pelo Código de Defesa do Consumidor. Nem toda oferta assim é golpe, mas ela descumpre a lei ou embute o risco nos juros. Pedido de dinheiro adiantado para liberar o crediário é sinal forte de fraude.

Posso pedir para a loja rever a recusa do crediário?

Pode. A Lei 12.414 garante o direito de pedir revisão de decisão tomada só por sistema automático, e o STJ reconhece o direito de saber quais dados e fontes entraram no cálculo do score. Faça o pedido por escrito e, se a resposta não vier, registre reclamação no Procon.

Loja de bairro consulta o Serasa ou só o SPC?

Depende da loja. No comércio de bairro, a consulta mais comum é a do SPC Brasil, ligado às Câmaras de Dirigentes Lojistas, mas muitas lojas e financeiras consultam também Serasa, Boa Vista e Quod. Para saber, pergunte no balcão qual birô a loja usa antes de pedir o crediário.

Pagar para aumentar o score ajuda a conseguir crediário?

Não existe forma legítima de pagar para aumentar o score; a Quod afirma isso na própria página. O que pesa na nota é pagar as contas em dia, não ter dívida registrada e manter o cadastro positivo ativo. Quem cobra para subir a pontuação está vendendo algo que não pode entregar.

Publicado em Dívidas no comércio

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