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Quantos brasileiros têm nome sujo? Os números da inadimplência
Em 30 segundos
- Em agosto de 2026, 73,71 milhões de brasileiros tinham contas em atraso, 43,90% dos adultos (CNDL e SPC Brasil).
- A Serasa contava 83,9 milhões de inadimplentes em julho de 2026, com R$ 586,4 bilhões em dívidas.
- No Banco Central, 6,03% da carteira de crédito a pessoas físicas tinha atraso de mais de 90 dias em agosto de 2026.
- Bancos respondem por 65,80% das dívidas em atraso e o comércio por 8,32%; 28,77% devem até R$ 500.
- Dos que entraram no cadastro em agosto de 2026, 86,72% eram reincidentes.
Quantos brasileiros têm nome sujo depende do birô que conta: em agosto de 2026 eram 73,71 milhões de pessoas com contas em atraso, cerca de 43,90% da população adulta, segundo a CNDL e o SPC Brasil. A Serasa contava 83,9 milhões de inadimplentes em julho de 2026. Os dois números medem bases diferentes, e nenhum deles é uma contagem oficial do governo.
Os números da inadimplência saem todo mês, cada um com o seu método, e por isso aparecem trocados em reportagens e redes sociais. A seguir estão os dados mais recentes de cada fonte, com a data de referência, o que cada um mede, com quem as pessoas mais devem e o que esses números dizem para quem está com o nome negativado agora.
Quantos brasileiros têm nome sujo hoje?
Em agosto de 2026, 73,71 milhões de brasileiros tinham contas em atraso registradas, segundo o indicador da CNDL e do SPC Brasil publicado em 24/09/2026. Isso equivale a cerca de 43,90% da população adulta, ou seja, mais de 4 em cada 10 adultos. A Serasa, com base própria, registrava 83,9 milhões em julho de 2026.
| Fonte | O que mede | Referência | Número |
|---|---|---|---|
| CNDL e SPC Brasil | Pessoas com contas em atraso na base do SPC | Agosto de 2026 | 73,71 milhões (43,90% dos adultos) |
| Serasa | Pessoas inadimplentes na base da Serasa | Julho de 2026 | 83,9 milhões, com 348,3 milhões de dívidas e R$ 586,4 bilhões em débitos |
| Banco Central | Parte da carteira de crédito a pessoas físicas com atraso de mais de 90 dias | Agosto de 2026 | 6,03% (era 4,92% em agosto de 2025) |
Os dados da Serasa estão no comunicado de imprensa da Serasa sobre o Mapa da Inadimplência, e os do Banco Central, na série 21084 do portal de dados abertos do Banco Central, que mede o "percentual da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional com pelo menos uma parcela com atraso superior a 90 dias". Esse último não conta pessoas: conta dinheiro emprestado por bancos.
Por que o número do SPC é diferente do da Serasa?
Os números são diferentes porque cada birô conta as pessoas registradas na própria base, com metodologia própria. Uma dívida pode estar no SPC e não na Serasa, ou nas duas, conforme o credor escolheu registrar. Nenhum dos dois está errado; eles medem retratos parecidos com lentes diferentes.
Isso também explica por que a sua consulta pode dar resultados diferentes em cada birô. Quem quer saber se está negativado precisa consultar mais de um: o SPC Brasil tem consulta gratuita do próprio nome pelo aplicativo SPC Consumidor, e a Serasa permite consultar de graça as dívidas no CPF. As diferenças entre os birôs estão em diferença entre SPC e Serasa, e o passo a passo, em como saber se meu nome está sujo. Dívidas com bancos aparecem ainda no Registrato, do Banco Central.
Com quem os brasileiros mais devem?
Os brasileiros devem principalmente a bancos: em agosto de 2026, o setor respondia por 65,80% das dívidas em atraso, e o comércio, por 8,32%, segundo o indicador da CNDL e do SPC Brasil de 10/09/2026. O mesmo levantamento mostra que 28,77% dos negativados deviam até R$ 500 e que a dívida média era de R$ 5.190,28.
Os dois números contam histórias diferentes. A dívida média alta tende a refletir os empréstimos e cartões; a fatia de quem deve até R$ 500 mostra que boa parte das negativações é de valor pequeno, do tipo que um acordo à vista resolve. O recorte do varejo está em inadimplência no comércio, e o que acontece com uma dívida pequena, em dívida pequena vai para o SPC.
Quem sai do cadastro tende a voltar
A reincidência é o dado mais duro do levantamento de agosto de 2026: dos consumidores que entraram na inadimplência no mês, 86,72% eram devedores reincidentes, segundo a CNDL e o SPC Brasil. A divisão mostra o padrão:
| Situação de quem foi negativado no mês | Parcela |
|---|---|
| Ainda não tinha quitado pendências antigas | 68,96% |
| Tinha saído do cadastro nos últimos 12 meses e voltou | 17,76% |
| Não tinha restrição anterior no CPF | 13,28% |
Do outro lado, entre quem conseguiu sair do cadastro, 59,06% pagaram até R$ 500 nas dívidas que tinham, e cada consumidor recuperado pagou em média R$ 2.496,49 na soma das dívidas, segundo o mesmo levantamento. A lição prática é que sair do cadastro é a metade do caminho: a outra metade é não voltar. Os hábitos para isso estão em como não voltar a se endividar, e o que fazer quando uma parcela do acordo atrasa, em atrasei a parcela do acordo.
Os programas federais e o tamanho do problema
Os programas federais de renegociação atenderam uma parte desse público. O primeiro Desenrola Brasil, encerrado em 20/05/2024, teve balanço de 15,06 milhões de pessoas e R$ 53,07 bilhões renegociados, segundo dados da Fazenda divulgados pela Agência Brasil. Dois anos depois do fim do programa, os indicadores de 2026 ainda mostram mais de 70 milhões de pessoas com contas em atraso.
Criado pela Medida Provisória 1.393/2026, o Desenrola Brasil 3.0 prevê a compra de carteiras de dívidas atrasadas, inclusive do varejo, mas em 13/10/2026 ainda dependia de regulamentação e não estava aberto ao consumidor. O que se sabe está em Desenrola 3.0. Para quem tem dívidas que já não cabem na renda, existe um caminho que não depende de programa: a lei do superendividamento.
O que esses números dizem para quem está negativado
Para quem está com o nome negativado, os números dizem duas coisas úteis. A primeira: você faz parte de quase metade dos adultos do país, e dívida não é falha de caráter. A segunda: como boa parte das negativações é de valor baixo, muitas se resolvem com um acordo à vista bem negociado, desde que a parcela ou o pagamento caibam no mês.
O caminho começa pela lista completa do que você deve e segue pela ordem de pagamento, explicada em como sair das dívidas. O que o registro muda na sua vida, e o que não muda, está em nome sujo, o que acontece, e os prazos em quanto tempo o nome fica sujo. Para dívidas com lojas do comércio local registradas por empresas credenciadas por associações comerciais e CDLs, a consulta de dívidas pelo CPF mostra as propostas das lojas, e a página onde negociar dívidas com lojas da sua cidade lista as entidades parceiras.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas estão negativadas no Brasil em 2026?
Em agosto de 2026, eram 73,71 milhões de pessoas com contas em atraso, segundo a CNDL e o SPC Brasil, o equivalente a cerca de 43,90% da população adulta. A Serasa, com base própria, registrava 83,9 milhões de inadimplentes em julho de 2026. Os números variam todo mês.
Qual a dívida média do brasileiro negativado?
Pelo indicador da CNDL e do SPC Brasil de agosto de 2026, a dívida média era de R$ 5.190,28 por pessoa negativada. O valor tende a refletir empréstimos e cartões; ao mesmo tempo, 28,77% dos negativados deviam até R$ 500, o tipo de dívida que um acordo à vista costuma resolver.
Os dados de inadimplência são do governo?
Os números de pessoas negativadas são dos birôs privados, como SPC Brasil e Serasa, cada um com a própria base e metodologia. O Banco Central divulga outro indicador, que mede a parte da carteira de crédito com atraso de mais de 90 dias, e não o número de pessoas com nome negativado.
Quem sai do SPC volta a ser negativado?
Muitos voltam. Em agosto de 2026, 86,72% de quem entrou no cadastro de devedores era reincidente, segundo a CNDL e o SPC Brasil: 68,96% ainda tinham pendências antigas e 17,76% tinham saído do cadastro nos últimos 12 meses. Por isso, o acordo precisa caber no orçamento até a última parcela.
Qual setor tem mais dívidas atrasadas no Brasil?
Os bancos. Em agosto de 2026, eles respondiam por 65,80% das dívidas em atraso registradas no indicador da CNDL e do SPC Brasil, enquanto o comércio ficava com 8,32%. Na conta dos bancos entram dívidas como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.
Publicado em Organizar e recomeçar
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