Planilha de dívidas grátis para organizar e quitar

Mulher na mesa de casa preenchendo uma planilha no notebook, com caderno e caneca ao lado
Imagem ilustrativa.

Em 30 segundos

  • A planilha tem sete colunas: credor, saldo, juros ao mês, juros no mês, parcela, vencimento original e situação.
  • A coluna de juros no mês (saldo vezes taxa) mostra qual dívida cresce mais e deve receber a sobra primeiro.
  • Uma aba de orçamento calcula a sobra depois das contas essenciais, que define a parcela máxima de qualquer acordo.
  • Se a renda que resta depois das parcelas fica abaixo de R$ 600, o caso pode ser de superendividamento.
  • Atualize a planilha uma vez por mês e mande a parcela da dívida quitada para a próxima da lista.

Uma planilha de dívidas que funciona tem uma linha por dívida e sete colunas: credor, saldo de hoje, juros ao mês, juros que o saldo gera no mês, parcela, data do vencimento original e situação. Ordenada pela coluna de juros, ela mostra qual dívida pagar primeiro. O modelo abaixo é grátis, leva 10 minutos para montar e serve no Excel e no Google Planilhas.

Planilha pronta para baixar: se preferir pular a montagem, baixe a planilha de dívidas em Excel, que abre também no Google Planilhas e no LibreOffice. Ela vem com as abas Orçamento, Dívidas e Acordos, as fórmulas montadas e a ordem de pagamento sugerida pelos juros.

Planilha bonita que ninguém atualiza não resolve nada. Por isso o modelo tem só o que muda a decisão: quanto cada dívida custa por mês, quanto sobra no seu orçamento e em que ordem atacar. Depois da tabela vêm as fórmulas, o passo a passo para montar no computador ou no celular e o que fazer com o resultado.

Como organizar dívidas numa planilha?

Para organizar dívidas numa planilha, comece reunindo todas elas numa lista só, com o saldo atual e os juros de cada uma, antes de pensar em pagar. A planilha transforma cobranças soltas em números comparáveis: em geral, a dívida que mais cresce por mês é a primeira da fila, depois das contas que mantêm a casa funcionando.

Para não esquecer nenhuma, confira o que está no seu CPF por canais oficiais e gratuitos: o SPC Brasil tem consulta gratuita do próprio nome pelo aplicativo SPC Consumidor, a Serasa permite consultar gratuitamente as dívidas no CPF e o Registrato, do Banco Central, lista empréstimos e financiamentos com bancos, inclusive os que estão em dia. O caminho de cada consulta está em como saber se meu nome está sujo. Dívidas com lojas do comércio local que estão registradas por empresas credenciadas aparecem na consulta de dívidas pelo CPF do Meu Nome no Azul, com as propostas das lojas.

O modelo: sete colunas e uma linha por dívida

O modelo de planilha de dívidas abaixo usa números redondos e ilustrativos. Copie os títulos das colunas e troque as linhas pelas suas dívidas:

Modelo de planilha de dívidas (valores ilustrativos)
A: CredorB: Saldo hojeC: Juros ao mêsD: Juros no mês (B×C)E: ParcelaF: Vencimento originalG: Situação
Cheque especialR$ 1.0008%R$ 80Sem parcelaEm usoEm dia
Cartão de crédito (rotativo)R$ 2.00010%R$ 200Mínimo da fatura05/2026Atrasado
Empréstimo pessoalR$ 3.0004%R$ 120R$ 250Em diaEm dia
Crediário de lojaR$ 6001%R$ 6R$ 20003/2025Negativado
TotalR$ 6.600R$ 406

Cada coluna tem um porquê. A coluna C usa a taxa do contrato ou da fatura; no cheque especial, a taxa não pode passar de 8% ao mês, pela Resolução CMN 4.765/2019, e no rotativo do cartão juros e encargos somados não podem passar do valor original da dívida, pelo artigo 28 da Lei 14.690/2023. No crediário atrasado, a multa é de no máximo 2% da prestação, pelo artigo 52, §1º, do Código de Defesa do Consumidor, e os juros seguem o contrato. A coluna F guarda a data em que a dívida venceu pela primeira vez, porque é dela que se contam os prazos do cadastro, explicados em quanto tempo o nome fica sujo.

No exemplo, as quatro dívidas geram R$ 406 de juros por mês. É esse número que a planilha precisa derrubar primeiro.

Como fazer a planilha de dívidas no Excel ou no Google Planilhas?

A planilha de dívidas se monta igual no Excel e no Google Planilhas, em cinco passos e com duas fórmulas. No celular, o aplicativo do Google Planilhas faz o mesmo, e o arquivo fica salvo na sua conta para atualizar todo mês.

  1. Crie a aba "Dívidas" e escreva na linha 1 os títulos das colunas A a G do modelo.
  2. Preencha uma linha por dívida, com o saldo de hoje na coluna B e a taxa mensal na coluna C, digitada como porcentagem (8%, e não 8).
  3. Na coluna D, calcule os juros do mês: na célula D2, digite =B2*C2 e arraste a fórmula para baixo.
  4. Some as colunas: na linha do total, use =SOMA(B2:B10) para o saldo e =SOMA(D2:D10) para os juros do mês.
  5. Ordene pela coluna D ou pela C, do maior para o menor, com a função de classificar dados da planilha. A dívida do topo é a candidata a receber a sobra do mês.

Para ter a planilha de dívidas em PDF e imprimir, use a opção de salvar ou baixar como PDF do próprio programa. Papel na geladeira também funciona: o que importa é olhar a lista todo mês.

A aba de orçamento mostra quanto vai para as dívidas

A segunda aba da planilha responde a pergunta que decide qualquer acordo: quanto sobra por mês depois das contas essenciais. Sem esse número, a parcela é escolhida pelo credor.

Aba "Orçamento" (exemplo ilustrativo)
LinhaValor
Renda líquida do mêsR$ 3.000
Moradia, comida, luz, água, transporte e remédioR$ 2.400
Sobra para as dívidas (renda menos essenciais)R$ 600
Parcelas que já vencem neste mêsR$ 450
Renda que resta depois das parcelas (renda menos parcelas)R$ 2.550

A última linha tem uma função a mais. A lei do superendividamento mede a situação comparando, todo mês, a renda total com as parcelas das dívidas vencidas e a vencer no mesmo mês, e protege um mínimo existencial de R$ 600, pelo Decreto 11.150/2022. Se o que resta depois das parcelas ficar abaixo disso, a sua planilha está mostrando um caso para a repactuação, que pode ser pedida no Procon, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Os detalhes estão em mínimo existencial e em lei do superendividamento. O jeito de montar os gastos essenciais está em orçamento familiar.

A ordem de pagamento sai da planilha, não da cobrança mais insistente

A ordem de pagamento que a planilha sugere segue três regras, nesta sequência:

  1. Contas essenciais e bens em garantia primeiro: aluguel, água, luz e financiamento de bem que pode ser tomado, como o carro.
  2. Depois, a maior coluna D: no exemplo, o cartão (R$ 200 de juros por mês) e o cheque especial (R$ 80). Trocar esses saldos por um parcelamento com juros menores já derruba a coluna.
  3. Por último, as dívidas paradas e negativadas, que crescem devagar e costumam aceitar desconto à vista, como o crediário do exemplo.

Há quem prefira quitar primeiro a dívida de menor saldo, para ter uma vitória rápida; também funciona, desde que a planilha continue sendo atualizada. A comparação entre os dois métodos está em quais dívidas pagar primeiro, e o plano completo, em como sair das dívidas. Para o cartão, o caminho está em renegociar dívida de cartão de crédito.

Planilha de dívidas atrasadas: o que anotar a mais

Dívida atrasada pede três anotações extras na coluna G ou numa coluna nova: se está negativada e em qual birô, se foi protestada em cartório e se há proposta de acordo, com o valor e o prazo da oferta. Essas informações mudam a estratégia, porque a dívida negativada antiga costuma aceitar desconto à vista.

Ao receber uma proposta, anote o total do acordo, e não só a parcela. Uma dívida de R$ 600 negociada em 6 parcelas de R$ 120 custa R$ 720 no fim; à vista com 30% de desconto, custa R$ 420. A diferença de R$ 300 é o preço de parcelar. Quem antecipa parcelas tem redução proporcional dos juros, pelo artigo 52, §2º, do CDC. As contas de desconto estão em desconto para quitar dívida, e as dívidas de loja, em crediário atrasado. Fechou o acordo? Registre a data em que o credor vai pedir a baixa: paga a dívida inteira, ele tem até 5 dias úteis para isso, pela Súmula 548 do STJ.

Tem aplicativo para organizar dívidas?

Tem, mas nenhum aplicativo junta sozinho todas as dívidas de todos os credores; por isso a planilha continua útil. Os aplicativos dos birôs mostram as dívidas negativadas, o Registrato mostra as dívidas com bancos, e o aplicativo do seu banco mostra as faturas. A planilha é o lugar onde tudo isso vira uma lista com ordem.

Se preferir o celular, o Google Planilhas e o Excel têm aplicativos gratuitos que abrem o mesmo arquivo do computador. Escolha um dia fixo do mês, logo depois do salário, para atualizar saldos e marcar o que foi pago. Quando uma dívida acabar, mande a parcela dela para a próxima da lista; é assim que a planilha encurta o caminho. Os hábitos para manter o resultado estão em como não voltar a se endividar, e o uso do 13º salário para pagar dívidas rende uma linha a menos na planilha. Para as dívidas com lojas credenciadas por associações comerciais e CDLs, a página como funciona a negociação com as lojas mostra o caminho do acordo.

Perguntas frequentes

Onde baixar uma planilha de dívidas grátis?

Você não precisa baixar nada: o modelo deste guia se monta em 10 minutos no Excel ou no Google Planilhas, com sete colunas e duas fórmulas. Copie os títulos, preencha uma linha por dívida e ordene pela coluna de juros no mês. O arquivo fica salvo na sua conta para atualizar todo mês.

Qual a melhor forma de controlar dívidas?

A melhor forma é uma lista única com todas as dívidas, atualizada uma vez por mês num dia fixo, logo depois do salário. Anote saldo, juros, parcela e situação de cada uma e acompanhe o total de juros do mês. Quando esse total cai, o plano está funcionando, mesmo que o saldo ainda pareça grande.

Planilha de dívidas pessoais deve incluir as contas em dia?

Deve. Empréstimo e financiamento em dia também consomem a renda e entram na conta da sobra mensal. A diferença é a prioridade: dívida em dia continua sendo paga normalmente, e a sobra extra vai para as atrasadas de juros mais altos. Sem as contas em dia, a planilha mostra uma sobra que não existe.

Como saber os juros de cada dívida para a planilha?

Os juros estão no contrato, na fatura do cartão ou no extrato do banco, como taxa mensal. No cheque especial, a taxa não pode passar de 8% ao mês. Se não encontrar a taxa, peça ao credor a memória de cálculo da dívida, com o valor original, a multa, os juros e a correção aplicados.

Dá para usar a planilha de dívidas no celular?

Dá. Os aplicativos do Google Planilhas e do Excel abrem o mesmo arquivo do computador e permitem editar as fórmulas. Para quem prefere papel, a mesma tabela funciona numa folha, desde que seja atualizada todo mês. O importante é que todas as dívidas estejam numa lista só, com a ordem de pagamento visível.

Publicado em Organizar e recomeçar

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