Organizar e recomeçar
Orçamento familiar: um jeito simples de fazer e manter
Em 30 segundos
- O orçamento familiar reúne todas as receitas e despesas de todos os moradores, como define o Banco Central.
- Três colunas bastam: o que entra, os gastos fixos e os gastos variáveis; a diferença é a sobra.
- Uma revisão de 15 minutos por semana mostra o problema antes do atraso.
- As parcelas do mês não podem comprometer o mínimo existencial de R$ 600, referência da lei do superendividamento.
- Usar o cheque especial para fechar o mês é o alarme principal: ele pode cobrar até 8% ao mês.
O orçamento familiar é a lista de tudo o que entra e de tudo o que sai da casa no mês, e o jeito mais simples de fazer é com três colunas (entra, gasto fixo, gasto variável) num caderno ou numa planilha. O que mantém o orçamento vivo é uma revisão de 15 minutos por semana, que mostra a sobra real antes de o mês acabar.
Orçamento não precisa de aplicativo nem de fórmula complicada, e não serve para cortar tudo o que dá prazer. Serve para saber quanto sobra de verdade, decidir quanto cabe para pagar dívidas e enxergar um gasto que está crescendo antes que ele vire atraso. Abaixo estão o modelo de três colunas com um exemplo preenchido, o passo a passo para montar, o roteiro da revisão semanal e a conta que mostra se as dívidas já passaram do limite.
Como fazer um orçamento familiar simples?
Para fazer um orçamento familiar simples, anote numa folha três colunas: o que entra no mês, os gastos fixos (que chegam todo mês com valor parecido) e os gastos variáveis (que mudam conforme o uso). A diferença entre a primeira coluna e a soma das outras duas é a sobra, que decide quanto vai para reserva e dívidas.
A definição oficial não é mais complicada que isso. O glossário de cidadania financeira do Banco Central descreve o orçamento familiar como o conjunto de todas as receitas e despesas da família: salários, horas extras e outros ganhos de todos os moradores formam a receita; aluguel, contas, combustível e os demais gastos de todos formam a despesa. O ponto importante está no "de todos": orçamento de uma pessoa só não mostra a casa.
O modelo de três colunas, preenchido
Os valores abaixo são ilustrativos, de uma casa com duas rendas, e servem só para mostrar como as colunas conversam:
| Entra | Gasto fixo | Gasto variável |
|---|---|---|
| Salário 1: R$ 2.100 | Aluguel: R$ 900 | Mercado: R$ 850 |
| Salário 2: R$ 1.500 | Luz e água: R$ 260 | Transporte: R$ 300 |
| Bico de fim de semana: R$ 300 | Internet e celular: R$ 150 | Farmácia: R$ 120 |
| Parcela do crediário: R$ 180 | Lazer e imprevistos: R$ 200 | |
| Total: R$ 3.900 | Total: R$ 1.490 | Total: R$ 1.470 |
A sobra do exemplo é de R$ 940 (R$ 3.900 menos R$ 1.490 menos R$ 1.470). É dela que saem a reserva e o valor extra para dívidas em atraso. Se a conta der negativo, o orçamento já mostrou o problema: algum gasto precisa cair ou alguma dívida precisa ser renegociada antes de vencer. Quem tem várias dívidas pode detalhar cada uma em planilha de dívidas e decidir a ordem com quais dívidas pagar primeiro.
Passo a passo para montar o seu
- Junte os papéis de um mês: holerites, extratos, faturas, carnês e contas de consumo. As empresas de serviços públicos e privados devem mandar todo ano uma declaração de quitação dos débitos pagos, pela Lei 12.007/2009, o que ajuda a conferir o que foi pago.
- Preencha a coluna do que entra com o valor líquido, o que cai na conta, de todos os moradores.
- Liste os gastos fixos, incluindo cada parcela de crediário, carnê, cartão e acordo. Dívidas com bancos aparecem no Registrato, do Banco Central.
- Estime os variáveis pelo extrato e pelas notas do mês anterior; na dúvida, arredonde para cima.
- Calcule a sobra e decida, no mesmo dia, quanto vai para a reserva e quanto vai para dívidas.
Caderno ou planilha? O que você vai abrir toda semana. O caderno funciona bem para quem anota na hora, e a planilha soma sozinha. Gasto que costuma escapar da lista: tarifas bancárias, assinaturas, presentes e o que é pago em dinheiro trocado.
A revisão de 15 minutos por semana
A revisão semanal é o que separa o orçamento que funciona daquele que fica esquecido na gaveta. Escolha um dia fixo, de preferência perto do pagamento, e responda a quatro perguntas:
- Quanto já saiu de gasto variável no mês, e quanto ainda falta de semanas?
- Alguma conta fixa vence nos próximos sete dias? Há dinheiro separado para ela?
- Entrou alguma compra parcelada nova? Ela já está na coluna dos fixos?
- O cartão ou o cheque especial foram usados para cobrir falta de dinheiro?
A última pergunta é o alarme principal. O cheque especial pode cobrar até 8% ao mês, teto da Resolução CMN 4.765/2019; usado para fechar o mês, ele transforma a falta de hoje na dívida de amanhã. Os outros sinais de recaída estão em como não voltar a se endividar.
Quanto da renda pode ir para dívidas?
Não existe percentual legal único para todas as dívidas, mas a lei do superendividamento dá uma referência: as parcelas do mês não podem comprometer o mínimo existencial, hoje de R$ 600 de renda mensal. Na prática, a parcela segura é a que cabe na sobra do orçamento sem atrasar nenhuma conta essencial.
O Decreto 11.150/2022 explica como fazer essa conta: compara a renda total do mês com as parcelas das dívidas vencidas e a vencer no mesmo mês. Se, pagas as parcelas, sobra menos que o mínimo existencial, a pessoa de boa-fé pode estar superendividada e tem direito a pedir a repactuação, no Procon ou na Justiça. O tema está em mínimo existencial e em lei do superendividamento.
Para o dia a dia, use a sobra como teto. No exemplo acima, a sobra de R$ 940 não deve ir inteira para parcelas: reservar uma parte para imprevistos evita que a primeira emergência quebre o acordo. Antes de parcelar uma compra, a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, mostra a taxa de juros embutida a partir do valor à vista e das parcelas.
Quando o orçamento não fecha
Orçamento negativo não é fracasso: é a informação que faltava para negociar. Com a lista pronta, você sabe exatamente quanto pode oferecer a cada credor, e esse número é a base de qualquer acordo. Os caminhos estão em como sair das dívidas e em pagar dívidas sem dinheiro; se a renda caiu de repente, veja desempregado com dívidas. Dinheiro extra, como o 13º, entra na coluna do que entra no mês em que cai, com destino já decidido; o roteiro está em 13º salário para pagar dívidas.
Quando a parcela que pesa é de crediário, carnê ou cartão de loja do comércio local, a consulta de dívidas pelo CPF no Meu Nome no Azul mostra o que lojas credenciadas por associações comerciais e CDLs registraram e as propostas que oferecem, para você comparar com a sobra do orçamento antes de aceitar. Leve o número da sua sobra para qualquer negociação; o roteiro está em como negociar dívidas, e as perguntas mais comuns, em dúvidas sobre negociar dívidas.
Perguntas frequentes
Qual a forma mais fácil de fazer um orçamento familiar?
Uma folha com três colunas: o que entra no mês, os gastos fixos e os gastos variáveis. Some cada coluna e subtraia os gastos da renda para achar a sobra. Pode ser num caderno ou numa planilha; o melhor formato é o que você vai abrir toda semana para revisar.
O que entra como gasto fixo no orçamento?
Tudo o que chega todo mês com valor parecido: aluguel, condomínio, luz, água, internet, celular, escola e cada parcela de crediário, carnê, cartão ou acordo de dívida. Contas com valor que varia muito, como mercado e farmácia, ficam na coluna dos gastos variáveis, estimadas pelo mês anterior.
Quanto da renda posso comprometer com parcelas?
Não há um percentual legal para todos os casos. A referência da lei do superendividamento é que as parcelas do mês não comprometam o mínimo existencial, hoje de R$ 600. Na prática, a parcela segura é a que cabe na sobra do orçamento e ainda deixa uma folga para imprevistos.
Com que frequência revisar o orçamento familiar?
Uma vez por semana, por uns 15 minutos, num dia fixo. Confira quanto já foi gasto de variável, quais contas vencem nos próximos dias, se entrou alguma compra parcelada nova e se o cartão ou o cheque especial foram usados para cobrir falta de dinheiro. No fim do mês, compare com o planejado.
O que fazer quando o orçamento dá negativo?
Primeiro, corte os gastos variáveis que podem esperar. Depois, renegocie as dívidas antes do vencimento, oferecendo ao credor só o valor que cabe na sobra. Se, mesmo assim, as parcelas comprometem o básico, procure o Procon ou a Defensoria Pública para avaliar a repactuação prevista na lei do superendividamento.
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